Sobre os transtornos mentais graves

Os projetos Vivendo e Reaprendendo e Capacitar, do Centro de Prevenção e Intervenção nas Psicoses (CPIP), atendem pessoas com transtorno mental grave. Geralmente são indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia e transtorno de humor bipolar.

Navegue pelas abas abaixo para entender melhor sobre os transtornos, com base na Classificação Internacional de Doenças (CID), nº 10 e nº 11, da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo a 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da Organização Mundial de Saúde (OMS), atualizado em julho de 2018, engloba os transtornos mais junto com os transtornos de comportamento e de desenvolvimento neurológico:

“Os transtornos mentais, comportamentais e de desenvolvimento neurológico são síndromes caracterizadas por distúrbios clinicamente significativos na cognição, regulação emocional ou comportamento de um indivíduo, que refletem uma disfunção nos processos psicológicos, biológicos ou de desenvolvimento subjacentes ao funcionamento mental e comportamental. Esses distúrbios geralmente estão associados a sofrimento ou prejuízo nas áreas pessoais, familiares, sociais, educacionais, ocupacionais ou outras áreas importantes de funcionamento.” 

Traduzido de: http://id.who.int/icd/entity/334423054

Você pode acessar por aqui o CID-10 – Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99), em português, no site do DataSUS, do Governo Federal.

“A esquizofrenia é caracterizada por perturbações em múltiplas modalidades mentais, incluindo o pensamento (por exemplo, delírios, desorganização na forma de pensamento), percepção (por exemplo, alucinações), auto-experiência (por exemplo, a experiência que os sentimentos, impulsos, pensamentos ou o comportamento está sob o controle de uma força externa), cognição (por exemplo, atenção prejudicada, memória verbal e cognição social), volição (por exemplo, perda de motivação), afeto (por exemplo, expressão emocional embotada) e comportamento (por exemplo, comportamento que parecem respostas emocionais bizarras ou despropositadas, imprevisíveis ou inapropriadas que interferem na organização do comportamento.) (…) Os sintomas devem ter persistido por pelo menos um mês para que um diagnóstico de esquizofrenia seja atribuído (…) “. 

Traduzido e adaptado de: http://id.who.int/icd/entity/1683919430

Clique aqui para ir para a página em Português do DataSUS sobre Esquizofrenia, de acordo com o CID-10.

O CID-11 classifica o transtorno bipolar tipo 1 e 2 dentro de “Bipolar e outraos transtornos relacionados”, em transtornos de humor. Mais sobre Transtorno de Humor, do CID-10, do DataSUS.

“Transtornos bipolares e relacionados são transtornos de humor episódicos definidos pela ocorrência de episódios ou sintomas maníacos, mistos ou hipomaníacos. Esses episódios normalmente se alternam ao longo desses distúrbios com episódios depressivos ou períodos de sintomas depressivos.” 

Traduzido de: http://id.who.int/icd/entity/613065957

“O transtorno bipolar do tipo I é um transtorno de humor episódico definido pela ocorrência de um ou mais episódios maníacos ou mistos. Um episódio maníaco é um estado de humor extremo que dura pelo menos uma semana, a menos que encurtado por uma intervenção de tratamento caracterizada por euforia, irritabilidade ou expansividade, e pelo aumento da atividade ou uma experiência subjetiva de aumento de energia, acompanhada por outros sintomas característicos, tais como fala, fuga de idéias, aumento da autoestima ou grandiosidade, diminuição da necessidade de sono, distração, comportamento impulsivo ou imprudente e rápidas mudanças entre os diferentes estados de humor (isto é, instabilidade do humor). Um episódio misto é caracterizado por uma mistura ou alternância muito rápida entre sintomas maníacos e depressivos proeminentes na maioria dos dias durante um período de pelo menos 2 semanas.”

Traduzido e adaptado de: http://id.who.int/icd/entity/1456478153

“O transtorno bipolar do tipo II é um transtorno de humor episódico definido pela ocorrência de um ou mais episódios de hipomania e pelo menos um episódio depressivo. Um episódio de hipomania é um estado de humor persistente caracterizado por euforia, irritabilidade ou expansividade e ativação psicomotora excessiva ou aumento de energia, acompanhado por outros sintomas característicos como grandiosidade, diminuição da necessidade de sono, pressão da fala, fuga de ideias, distração e impulsividade. ou comportamento imprudente com duração de pelo menos vários dias. Os sintomas representam uma mudança em relação ao comportamento típico do indivíduo e não são graves o suficiente para causar prejuízo acentuado no funcionamento. Um episódio depressivo é caracterizado por um período de humor depressivo quase diário ou interesse diminuído em atividades que duram pelo menos 2 semanas acompanhadas por outros sintomas, como alterações no apetite ou sono, agitação ou retardo psicomotor, fadiga, sentimentos de culpa inútil ou excessiva ou inadequada. , sentimentos ou falta de esperança, dificuldade de concentração e suicidalidade. Não há história de episódios maníacos ou mistos.”

Traduzido de: http://id.who.int/icd/entity/199053300

A 10ª Classificação Internacional de Doenças ainda indica o Transtorno de humor afetivo, que são “transtornos nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação”

Adaptado de: http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f30_f39.htm

Nele se encaixam o episódio maníaco, transtorno afetivo bipolar, episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente, transtornos de humor [afetivos] persistentes, outros transtornos do humor [afetivos] e transtorno do humor [afetivo] não especificado. Saiba mais sobre eles no site do DataSUS.

Perguntas frequentes:

Adaptado pela Médica psiquiatra Sandra M. Soares- CRM/RS – 9123.

Não, são doenças verdadeiras, classificadas pela Organização Mundial da Saúde. Elas podem ser causadas por fatores biológicos, psicológicos e sociais, e podem atingir qualquer pessoa, causando muito sofrimento, podendo inclusive levar à morte.

Saiba mais sobre a descrição dos transtornos na seção acima.

Não. Essas pessoas com problemas não representam perigo para a família, comunidade ou sociedade.

Por esse motivo, devem ser tratadas adequadamente e inseridas na comunidade, sem medo ou exclusão.

Assim, poderão levar uma vida normal, feliz e produtiva, como todo mundo.

A psicose é uma perda de contato com a realidade que o cerca. É um transtorno mental que caracteriza pela desintegração da personalidade e conflito com a realidade.

Alguns dos sintomas pré-desencadeadores são:

  • Alta preocupação;
  • Desconfiança;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Tensão;
  • Irritabilidade;
  • Ira;
  • Alteração de humor;
  • Distúrbios do sono;
  • Alterações do apetite;
  • Perda de energia ou motivação;
  • Dificuldades de memória ou concentração;
  • Percepção de que as coisas ao redor estão alteradas;
  • Crença de que os pensamentos encontram-se acelerados ou lentificados;
  • Deterioração no trabalho ou nos estudos;
  • Interrupção e perda do interesse em se socializar;
  • Surgimento de crenças incomuns.

Ressaltamos que esses são sintomas que podem acontecer com qualquer pessoa e não necessariamente implicam na psicose, o que depende do grau e intensidade desses sentimentos. Somente um profissional dessa área poderá fazer o diagnóstico.

Os sintomas da psicose são:

  • Distúrbio do pensamento: os pensamentos estão sendo colocados em sua cabeça; os pensamentos estão desaparecendo da sua cabeça; os pensamentos parecem estar sendo falados, como se alguém por perto pudesse ouvi-los;
  • Delírios: um delírio é uma crença totalmente falsa. Que não tem lógica;
  • Alucinações: ouvir, ver ou sentir cheiro de algo que outros não conseguem sentir;
  • Dificuldades em manter coerência ao falar;
  • Comportamentos estranhos;
  • Sentimentos alterados.

Os médicos generalistas desempenham um importante papel na iniciação precoce do tratamento. Eles deverão manter alto grau de suspeita ao tratarem pessoas jovens com alterações persistentes no comportamento e no desempenho de suas atividades.

Profissionais da saúde mental desempenham um papel importante, por serem especialistas no assunto, como psicólogos e psiquiatras.

Sim. Já existem tratamentos efetivos, e sem sofrimento ao alcance de todos.

É importante destacar que os tratamentos não envolvem somente medicamentos, mas também atividades que promovam o convívio e a ressocialização desses indivíduos, como propõe o CPIP.

Esse mito ainda persiste em nossa sociedade.

Na realidade, todos que se encontram em conflitos pessoais e em relacionamentos podem procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.

Ou seja, o atendimento deste profissional não é voltado somente para pessoas diagnosticadas com com suspeita de possuir algum transtorno mental.

Qualquer pessoa pode precisar de apoio emocional de um profissional para superar conflitos emocionais, que não consegue lidar sozinho ou com a ajuda de amigos e familiares. É uma realidade que estamos vivendo, com cada vez mais pessoas desenvolvendo ansiedade, por exemplo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o país que tem a maior taxa de transtorno de ansiedade no mundo.

Esses profissionais estarão aptos para te auxiliar nesse momento de autoconhecimento, que é de extrema importância para superarmos os obstáculos.

Sim, contamos com a Política Púbica de Saúde Mental.

Os pacientes que apresentam transtornos mentais têm direito a receber atendimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que compreende os seguintes serviços:

  • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), em suas diferentes modalidades;
  • Serviço Residencial Terapêutico (SRT);
  • Unidade de Acolhimento (adulto e infanto-juvenil);
  • Enfermarias Especializadas em Hospital Geral;
  • Hospital Psiquiátrico;
  • Hospital-Dia;
  • Atenção Básica;
  • Urgência e Emergência;
  • Comunidades Terapêuticas;
  • Ambulatório Multiprofissional de Saúde Mental;

Informações extraídas do Portal da Saúde do governo.

Saiba mais sobre os direitos das pessoas com deficiência e especificamente para pessoas com transtorno mental na nossa página sobre Legislação.

Sim, e é muito importante. Atrasos em começar o tratamento podem ter sérias consequências para os pacientes e as suas famílias. Diversos trabalhos científicos comprovam que o tempo transcorrido entre o início dos sintomas psicóticos e o primeiro contato com o tratamento foi de 2,5 anos nos pacientes com esquizofrenia.

  • Recuperação mais lenta e menos completa;
  • Pior prognóstico;
  • Risco aumentado de depressão e suicídio;
  • Interferência no desenvolvimento psicológico e social;
  • Enfraquecimento das relações interpessoais, perda dos apoios familiares e sociais;
  • Desestruturação das atividades maternais ou paternais do paciente;
  • Estresse e aumento dos problemas psicológicos na família do paciente;
  • Uso abusivo de substâncias;
  • Desestruturação das atividades escolares e profissionais e desemprego;
  • Atos violentos e criminais;
  • Hospitalização desnecessária;
  • Perda da auto-estima e da auto-confiança;
  • Aumento dos custos de tratamento.

Mas, mesmo assim, o diagnóstico sempre será importante.

É um desafio não só individual, mas também coletivo, da nossa sociedade. 

O assunto precisa de reconhecimento, que haja educação para os profissionais de atenção primária saúde e também para a comunidade.

Reduzir o medo e os estigmas associados aos serviços psiquiátricos e proporcionar fácil acesso aos serviços psiquiátricos é um desafio para todos nós.

Leituras recomedadas:

Ministério público, sociedade e a lei brasileira de inclusão da pessoa com deficiência / André de Carvalho Ramos … [et al.]; Eugênia Augusta Gonzaga, Jorge Luiz Ribeiro de Medeiros (organizadores). – Brasília: ESMPU, 2018. Documento completo aqui.